Notícias - Notícias de um velho Flamboyant

Por Natália Faria

Estão lembrados que noticiamos a queda do nosso estimado Flamboyant, em fevereiro do ano passado? Pois é, desde então, travou-se uma intensa e ainda inacabada batalha em busca de sua salvação. É que na ocasião, após avaliação feita pelo engenheiro agrônomo Luiz Carlos Carvalho, ficou atestado que a árvore está em estado de senescência, ou seja, suas células param de se dividir para manter o organismo renovado, condição esta condizente com sua idade, estimada em 70 anos. Assim, foi já nesse estado que, no início de 2013, a árvore tombou, atingida por uma forte ventania de uma tempestade de verão. 

Para tentar recuperar o Flamboyant Luiz Carlos – que é especialista em Proteção de Plantas e tem experiência com reabilitação de árvores antigas, tendo recuperado, inclusive, a famosa Sibipiruna da praça Adolfo Fonseca em Uberlândia, propôs que a árvore fosse erguida, aprumada e escorada. A escola, então, providenciou um guincho para erguer o Flamboyant e o restante do procedimento foi realizado com a ajuda de funcionários do Colégio, que utilizaram apoios de ferro e estacas de madeira para colocar o tronco no lugar. O agrônomo sugeriu também uma poda da copa, tratamento do solo com fungicidas e calcário, reposição com solo adubado, correção de pH e compactação de terra na região em que a raiz se encontrava rompida. Tudo foi feito exatamente como prescrito, além de um bom reforço no lenho da árvore com injeção de concreto.

flamb1A equipe do Colégio Nacional realizou e permanece realizando uma verdadeira força-tarefa para garantir que o tratamento seja feito com o máximo cuidado e carinho. Inspetores de pátio e funcionários administrativos se tornaram um pouco jardineiros, ajudando nas irrigações diárias e nos cuidados gerais do tratamento.

O agrônomo Luiz Carlos continua fazendo visitas periódicas à escola para acompanhar todo o processo. O que se espera, segundo ele, é que o Flamboyant recupere, aos poucos, a exuberância dos galhos e folhas. “A brotação acontece concomitante com a recuperação das raízes, esse processo é um pouco lento em uma árvore velha. Mas a planta está viva e nosso trabalho é dar-lhe condições de sobreviver”, afirma. Com as chuvas, o profissional acredita que o crescimento dos galhos acelere, dando indícios de uma recuperação completa, que acontecerá quando uma nova copa estiver formada, bem florida.

Bom, ainda não conseguimos ver as flores, mas a vista atual do Flamboyant é linda e animadora:

 

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Amigo antigo, amigo querido

Em meados da década de 1990, quando o Colégio Nacional crescia e buscava meios de expandir sua estrutura, a escola se deparou com o terreno da Rua México. O terreno tinha apenas um morador: um solitário e belo Flamboyant, que de imediato cativou nossos gestores. Entendendo que aquela vida deveria estar presente na escola, o projeto arquitetônico do prédio que ali se instalaria, abrigando as salas de 3º ano de Ensino Médio e Pré-vestibular, buscou preservar a árvore como uma reverência à vida.

Dessa forma, o Flamboyant se tornou um símbolo da escola, uma referência das causas e da filosofia do Colégio. Além de refletir a preocupação do Nacional com a natureza, o Flamboyant se consolidou, ao longo dos, anos como um espaço de integração, de espírito colaborativo e união, testemunhando lembranças afetivas, de lutas e conquistas, de momentos importantes das pessoas que passaram pela escola.

Terezinha Lelis, do Núcleo Pedagógico, participou de toda essa trajetória. Segundo ela, a notícia de que o Flamboyant havia tombado foi recebida com tristeza por todos. “Recebemos a notícia tentando compreender que a natureza tem seu ciclo. Mesmo assim, buscamos ajudar o Flamboyant a se recuperar para que ele possa ficar mais um pouco perto de nós, registrando e sendo parte da nossa história”, conta Terezinha.

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Sobre o Falmboyantflamb4

O Flamboyant é uma árvore nativa da costa leste da África, onde é encontrado, originalmente, na região de Madagáscar e de ilhas do Oceano Índico. Embora não seja típica do Brasil, é possível encontrar a árvore no país, já que ela se adapta facilmente a regiões de clima tropical, subtropical e equatorial. Em território brasileiro, o Flamboyant ocorre principalmente na região sudeste e no litoral.

O nome da árvore é francês: “Flamboyant” significa flamejante, devido ao colorido intenso de suas flores, geralmente vermelhas ou alaranjadas – embora algumas variedades apresentem flores amarelas. Frondosa, ela possui tronco forte e um pouco retorcido, podendo alcançar cerca de 12 metros de altura. Sua copa é muito ampla, em forma de guarda-chuva, e pode ser mais larga do que a própria altura da árvore.