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Entenda como se deu a escolha dos comitês da VII Simuna

Texto de Natália Faria

Neste ano, a Simuna foi composta por três comitês principais. O comitê da UNESCO discutiu novas abordagens para as 8 metas do milênio, propostas originalmente em 2000; a Comissão de Desarmamento e Segurança Internacional (CDSI) realizou um debate acerca do atual financiamento e fornecimento de armas  na África e Oriente Médio e o inédito Tribunal de Nuremberg simulou alguns dos julgamentos que aconteceram nos anos posteriores à Segunda Guerra Mundial, com a finalidade de processar as lideranças do nazismo.

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O professor Délcio Gomes dividiu com a professorea Leandra Guerin o posto de professor conselheiro da VII Simuna.

O professor conselheiro, Délcio Gomes, comenta a escolha dos temas desta edição. Confira na entrevista.

Naça – Qual a importância de trazer a CDSI para o evento?

Prof. Délcio – “Mais do que nunca é uma reflexão necessária, e nós sempre desejamos fazer isso aqui na Simuna, desde as primeiras edições. (…) É um comitê que sempre da muito certo, porque ele gera muita discussão, estimula nos alunos a reflexão, o desejo autonômo pela pesquisa. E mais que tudo, é um assunto relevante. Atualmente, temos a invasão da Criméia pela Rússia, os conflitos na Síria… Quando se trata de segurança internacional, não devemos pensa apenas em apenas armas nucleares. Parece-me mais importante ainda o que nós vamos discutir aqui, que são essas armas de pequeno e médio porte, que sustentam a situação de guerra civil e da violência urbana nos países. Grande parte do comércio é legalizado, o que acaba favorecendo o ilegal. ”

Naça – Esta é a primeira Simuna que os alunos do 9º ano têm a oportunidade de participar e o comitê da UNESCO foi destinado a eles. Gostaria que você comentasse a importância dessa experiência para alunos tão jovens.

Prof. Délcio – “Nós colocamos esse tema para os alunos mais novos para que eles comecem a refletir desde já, porque nós confiamos que eles têm capacidade para isso. E o comitê da UNESCO é um comitê muito bonito. Trata de questões importantes, como a educação, a saúde e a sustentabilidade. Parecem assuntos já esgotados, já que tanto se fala sobre eles, mas eles precisam, de fato, ser discutidos e revistos sempre, com cada vez com mais cuidado e prioridade. A UNESCO é uma organização muito importante da ONU, que tem um grande papel humanitário, mesmo com todos os problemas que enfrenta atualmente em seu sistema interno.”

Naça – A escolha do Tribunal de Nuremberg dialoga, de alguma forma, com os 50 anos do golpe da ditadura militar no Brasil, que o país (des)completa nessa semana?

Prof. Délcio - “Com certeza há a ligação com essa data, dos 50 anos da ditadura. Além disso, desde 2008, com essa crise econômica que vamos superando, houve um crescimento perigoso de extrema direita, forçando os governos a se posicionarem contra a imigração, contra debates como as relações de gênero e contra discussões progressistas como a questão do aborto. Seria como o surgimento de um neoconservadorismo. Então, a ideia é que essa moçada reflita temas tão atuais a partir de um tribunal que não só histórico, mas que dividiu a história do direito.

O nascimento do direito internacional e a declaração dos direitos humanos são eventos pós 1945. E, boa parte desses direitos que conhecemos, estão ligados ao surgimento da ONU, ao pós-guerra. Colocar o aluno para representar o nazista, não de uma forma acrítica, mas de uma forma séria, fazê-lo entender como aqueles sujeitos pensavam, como funcionava por dentro aquele sistema, é muito importante, porque é muito simples apenas condenar. (…) Trata-se de um tema muito relevante, inclusive para sociedade brasileira, essa discussão da autoridade e da exclusão. ”

Naça – E com relação à imprensa e às ONGs? Qual é o papel destes comitês?

Prof. Délcio - “Eu estava falando para os meninos: ‘Vocês têm um papel decisivo para trazer determinados temas incômodos, a sociedade civil tem esse papel’. São as ONGs que forçam o corpo político a debater o que o governo não quer que seja debatido. Então o Terceiro Setor é sempre importante no nosso evento por causa disso. Com relação à imprensa, bom, como negar o papel da imprensa? É quase um quarto poder, a mídia. Então colocamos aqui jornais muito diversos. Procuramos fazer isso da forma mais diversa possível para que a imprensa possa fazer o papel de circular as ideias aqui dentro, tanto em sua posição dentro dos comitês, na simulação em si, quanto na reflexão sobre o evento.”