Notícias - Novo Ensino Médio: Avanço ou retrocesso?

IMG_3816A apresentação de um “novo” modelo de Ensino Médio tem causado várias discussões e críticas em diversos setores da sociedade e está longe de ser uma unanimidade entre educadores. No entanto, o Projeto de Lei que tramita, em fase final, no Congresso Nacional merece a urgência da nossa atenção: esse debate é, no meu ponto de vista, estratégico para o desenvolvimento do Brasil.

Dados do IMEP/MEC dão conta de que, todos os anos, pelo menos 1 milhão de alunos abandonam o Ensino Médio nas escolas brasileiras. O impacto desses números é alarmante: 25% dos jovens entre 15 e 24 anos pertencem hoje à conhecida geração “nem-nem” — nem trabalham nem estudam. Além disso, o Brasil tem amargado as últimas posições no Exame Internacional de PISA situando-se abaixo de países como Albânia e Costa Rica.

É certo que as causas são muitas, mas acredito que não se possa mais menosprezar que a baixa atratividade dos currículos, em sua maioria generalistas e distantes da realidade social, econômica e cultural dos jovens estudantes, aliada à baixa qualidade do ensino sejam vetores importantes, para não dizer, decisivos na análise dessa situação.

Por isso, um Projeto que aponta como rumo estratégico a implantação do Período Integral de ensino, a flexibilização curricular que leva em conta demandas e preferências dos estudantes e que valoriza o protagonismo juvenil, um currículo da base comum mais inteligente e moderno, orientado pelas áreas do conhecimento e não por “disciplinas” estanques, tudo isso não pode ser visto como atraso e sim como grande oportunidade de promovermos a mais ampla revisão da Educação Básica brasileira a partir do Ensino Médio.

Imensos serão os desafios, mas creio que com a aprovação desse Projeto a “estrada” estará pavimentada rumo à prioridade de investimentos para a Educação Básica, à necessidade e urgência da revisão do papel e valorização da carreira dos profissionais da educação, notadamente a do professor, e que  certamente nos conduzirá norteando a construção de uma Escola contemporânea, muito mais atrativa aos jovens e que tanto interessa ao projeto de país que queremos construir.

 

- Thomé de Freitas Caires Júnior – 

Empresário e Consultor Pedagógico do Colégio Nacional