Notícias - Diário de Viagem: Pé na Estrada

por Miriane Dayrell

O projeto “Pé na estrada” acontece há mais de 10 anos. Esse foi o meu quinto ano. Sandra, a Coordenadora de Projetos, e os professores Leandra, Rafinha, Sandro e eu embarcamos em mais uma viagem cercada por muitas expectativas. Nesse ano, a temática escolhida foi “hordas de piratas”. Eram ao todo 5 hordas, incluindo a dos professores, cada uma responsável por uma discussão diferente: escravidão moderna, biodiversidade, justiça e desigualdade social, ouro negro (petróleo) e utopia. Por cada lugar que passamos, uma nova discussão se iniciava, dando destaque à criatividade dos “piratas”.

Partimos de Uberlândia para chegar a Barra do Piraí, onde nos hospedamos na fazenda Ponte Alta. Com instalações preservadas da época da escravidão, o lugar guarda a história em uma de suas facetas mais crueis e marcantes. Fomos recebidos pelo barão e pela baronesa e participamos de um Baile Imperial, com todos vestidos a caráter. Aprendemos danças da época, bem como costumes das pessoas que passaram por esse lugar. Na manhã seguinte, conhecemos as instalações da fazenda e o lugar mais impactante: a senzala. Refletimos muito sobre o que ali ocorreu, sobre as pessoas que por ali passaram.

 

Da fazenda, pegamos um barco e chegamos à Vila do Abrahão, em Ilha Grande. De lá, andamos por 11 Km para chegar a Vila Dois Rios, onde fica o Centro de Estudo Ambientais e Desenvolvimento Sustentável (CEADS), um dos campi da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Na ilha, visitamos museu, cachoeira, mangue e o mar, que para mim é uma das coisas mais bonitas do universo. Mas o melhor de Ilha Grande, com certeza, são as pessoas. Pelo fato de no local ter existido um presídio, muitas pessoas que trabalharam no local permaneceram na ilha e ficam a cargo de contar as histórias. Hoje, restam somente as ruínas, que possuem muito valor para se entender, não só o passado, como a realidade atual.

Na Ilha, conversamos com muitas pessoas. Uma delas, a Dona Tereza, dona do único estabelecimento comercial do local, onde realizamos nosso show de talentos. O outro foi o Seu Júlio, o último preso do presídio. Com quase 90 anos, ele passou mais de 50 encarcerado e contou a sua história de vida, motivando reflexões imensamente importantes para entender o outro e a própria história.

Andamos de volta os 11 Km, pegamos o barco e seguimos para Paraty, onde visitamos o centro histórico e discutimos sobre as riquezas do Brasil, sobre quem as têm e para onde vão. Em resumo: uma viagem que promove o autoconhecimento, a empatia, o amor ao próximo. Vamos à ilha e percebemos o quão ilhados estávamos. Voltamos mais livres, mais esperançosos, acreditando no futuro. Nossos estudantes nos mostram a beleza que existe na educação e fazem a diferença em todo o percurso, provando que a sala de aula é o mundo, e o mundo mora dentro de cada um!