Notícias - Dois dias de evento e muito conhecimento envolvido.

O Seminário com Educadoras de Reggio Emilia, realizado no último dia 25 de novembro,  foi necessário, interessante, valioso e inquietante para a equipe do Colégio Nacional. Notou-se que a escola vêm conseguindo, ao longo dos últimos dois anos, demonstrar à comunidade escolar, a importância das filosofias e procedimentos de ensino-aprendizagem adotados pela equipe pedagógica para a formação de indivíduos independentes e autônomos.

Atentos à importância da cultura local, o evento propiciou atividades artísticas, numa relação entre educação e cultura, num processo multidimensional, mundial, evolutivo e mobilizador, onde o homem ao mesmo tempo ocupa o lugar de origem, ator e finalidade, conforme afirma o Relatório para UNESCO da Comissão Internacional da Educação para o Século XXI. Ela ainda completa dizendo que “todos são ao mesmo tempo a origem de todo o processo,  atores no momento das práticas e  finalidade no desejo de transmitir, seduzir e  envolver”.

Realizado em parceria com a RedSolare Brasil, o evento fortaleceu ainda mais a parceria entre a instituição e o Colégio Nacional. Uma das palestrantes foi a educadora  Marília Dourado, que  através da divulgação das práticas desenvolvidas pelos educadores das escolas de infância do município de Reggio Emilia,  é responsável pela qualidade das ações desenvolvidas. Os educadores do colégio que estavam presentes ficaram bastante inquietos com as observações da palestrante. “Foi bastante interessante porque aos nossos olhos – ainda muito jovens na proposta- estávamos caminhando dentro do esperado”, falou Cleide.

Entre as dúvidas que permaneceram ao final da atividade estava o conceito de curricularidade. Como utilizar a proposta de Reggio Emilia respeitando a curricularidade  brasileira? Como documentar processos se existe uma autoridade institucional que ainda caminha em concepções arcaicas de educação para infância? Como subverter imediatamente uma realidade sem os processos adequados de maturação do corpo docente? Como avançar numa concepção educacional sem ferir susceptividades e respeitando a  história  e saberes dos docentes? Como mudar modelo mental sem possibilitar a vivência, avaliação e re-avaliação? 

“Como vocês podem ver, nada é tão simples como parece e apesar de nossos contínuos esforços, ainda há muito campo para ceifar, arar, adubar e plantar. Como disse Gandin, ‘não somos pescadores domingueiros esperando peixe. Somos agricultores esperando a colheita, porque conhecemos as sementes, a terra, os ventos e a chuva, porque avaliamos as circunstâncias e porque trabalhamos seriamente'”, finalizou Cleide.