Notícias - São Paulo: Labirinto de gentes

Há algo de sedutor na dureza cinzenta de São Paulo. É uma efusão viva e constante de diferenças, pessoas e experiências que provoca um frisson extremo de ardores ou críticas. Quem ama São Paulo, ama a Sampa de contrastes, do mar de carros, do exército de prédios, da planta que nasce no vão dos concretos.

Conhecê-la é como se fosse um mergulho, é necessário um respiro, uma lufada profunda de ar nos pulmões de modo a lidar com a rapidez orgânica das coisas. É apropriado, portanto, nomear a viagem que descortina as nuances da terra da garoa de “TUDO AO MESMO TEMPO AGORA”. Cosmopolita, jovem, cultural, criativa, tecnológica, são todos adjetivos que poderiam preceder, com louvor, o substantivo “São Paulo”.  

A viagem foi pensada como um turbilhão de experiências e emoções, mas também como a oportunidade de adentrar em um labirinto de pessoas, cada qual com suas diferenças e particularidades. Assim, o Dia Zero, como foi chamado pelos nossos educadores, era a oportunidade de respirar, de desligar a mente do cotidiano para poder apreciar com mais impacto tudo aquilo que estava por vir. Para tal, curtiram um dia de sol no Beach Park, em Olímpia. 

 

No campo dos sentidos, um passeio pela 25 de março, com pessoas dos mais variados lugares e diversos tipos. “É um verdadeiro labirinto de pessoas, um lugar que demonstra a efervescência comercial e cultural de São Paulo, a essência de uma cidade”, afirmou Jazz, professor de Matemática. No Mercadão, tiveram acesso a uma visão gourmet desta mesma cultura, experimentando novos sabores e frutas exóticas, mas fecharam a noite no Le Bife, restaurante de alta gastronomia com menu assinado pelo Chef Erick Jacquin. Estes lugares não foram selecionados ao acaso. Cada um deles trouxe uma parcela de discussão sobre a questão dos sabores, texturas e importância cultural do alimento para o ser humano. 

A provocação causada pela arte não poderia ficar de fora. Subindo as escadas do vão do MASP, ou se situando em meio ao Museu Afro-Brasil, no Parque do Ibirapuera, os jovens foram apresentados a um novo universo de significações e leituras subjetivas. Para cada instalação ou quadro, milhares de possibilidades.

Há um certo encantamento neste emaranhado de coisas, pessoas e situações que fazem com que nos sintamos pequeninos em meio aos arranha-céus de pedra e vidro. Que seja uma pequenez construtiva, vinculada ao sentimento de humildade frente à grandiosidade do mundo e que gere a vontade de conhecer e compreender o mundo em suas minúcias. Nossos estudantes-pesquisadores nunca se esquecerão desta viagem que foi muitas em uma só.