Banner 920-300 - Projeto Pedagogico

O projeto

Educação para sempre

 

“Não somos pescadores domingueiros, esperando peixe. Somos agricultores esperando a colheita, porque a queremos muito, porque conhecemos as sementes, a terra, os ventos e a chuva, porque avaliamos as circunstâncias e porque trabalhamos seriamente”.

                                                                                                                               Danilo Gandin  

 

 

Reunir-se em torno de um objetivo comum que assegure os sonhos, as aspirações e os desejos das pessoas tem sido uma ação desenvolvida, pela humanidade, desde tempos remotos. O ser humano, a um só tempo físico, biológico, psíquico, cultural e social, precisa tomar conhecimento e consciência de sua identidade complexa e de sua identidade comum a todos os seres humanos (MORIN, 2000) e é através de espaços que propiciam esse entrosamento, essa troca, essa parceria, que os valores, as condutas, os hábitos e os conceitos vão sendo adquiridos, ressignificados, constituídos, estabelecidos.

 

A condição humana traz a discussão sobre o biológico e o cultural, sobre o sujeito (pessoa) e o objeto (meio físico e social), sobre o cérebro, a mente e a cultura, sobre a razão e o afeto. Discute a relação entre indivíduo, sociedade e espécie e se constitui pela cultura e na cultura (MORIN, 2000).

 

Uma contradição trágica de nosso tempo tem sido o desenvolvimento sofisticado da ciência e da tecnologia sem a correspondente evolução psíquica, ética e espiritual do ser humano (CREMA 1995). A disputa, a exclusão e a discriminação faz com que as pessoas percam a dimensão do humano. O espaço exterior tão amplamente explorado não propicia a análise do espaço interior.

 

Quem deseja viver bem precisa conhecer suas limitações, suas possibilidades, seus sonhos, suas intensões, seus direitos e seus deveres. Precisa ver assegurada a sua dignidade e desejar que a comunidade dos homens e das mulheres viva livre, na justiça, na ética, nos valores e na consciência moral.

 

Na experiência ética, o ser humano se manifesta como pessoa livre, capaz de estabelecer relações com outros seres humanos num plano de intersubjetividade e de reconhecimento mútuo. Não ficará submetido a outro ser humano, mas à voz de sua consciência que reconhece os direitos e os deveres. Precisa aprender a ser, para desenvolver sua personalidade e sua capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal. Precisa aprender a conviver com o outro, desenvolvendo compreensão e percepção da interdependência, da singularidade e do pluralismo. Aprender a fazer, a fim de adquirir competências e habilidades que o torne apto a enfrentar numerosas situações e, finalmente, aprender a conhecer, combinando cultura geral e particular que o leve a conhecer melhor o ambiente em que vive e a despertar a curiosidade, estimular o sentido crítico e a capacidade de discernir. (UNESCO, 1996).

 

No Colégio Nacional, são 30 anos construindo relacionamentos amplos com os setores cultural, artístico, educacional e social da cidade de Uberlândia, do estado de Minas Gerais, dos demais estados da União e do Mundo, instigando educadores, educandos e demais funcionários, no desenvolvimento de uma consciência crítica, de uma experiência ética e no exercício da cidadania.

 

Pautados pela compreensão de que o bem comum é alicerçado numa educação de qualidade, no respeito às singularidades humanas, na diversidade cultural, na igualdade de direitos, na participação e corresponsabilidade social, criamos espaços institucionais que nos permitem repensar nossa prática cotidiana, refletir sobre novos caminhos criados diante de um mundo em mudanças. Esses princípios norteiam nossa comunidade educativa, nos desafiam cotidianamente e, naturalmente, pautam o nosso programa político-pedagógico, o “Tem Jeito Sim”.

 

 

PROGRAMA “TEM JEITO SIM”

 

A liberdade de organização conferida aos sistemas educacionais pela legislação está vinculada à existência de diretrizes que orientem e possibilitem a definição de conteúdos de conhecimento em conformidade com a base nacional comum do currículo e com a parte diversificada, como estabelece o Artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB nº 9394 de 20 de dezembro de 1996. Os currículos da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e do Ensino Médio devem ter uma base comum a ser complementada, em cada instituição de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos (Ministério da Educação – Secretaria de Educação Básica).

 

Levando-se em consideração as prerrogativas da lei, o Colégio Nacional buscou ampla discussão com os envolvidos e ou responsáveis pela “educação das gentes” (NEIDSON, 1989), levantando vários questionamentos: o que é, de fato, aprender? Como se aprende? O que, de fato, é ensinar? Ensinar é o mesmo que intervir? Como intervir para que, de fato, o outro aprenda? Para quem ensinar? Para que servem os conteúdos de ensino? Qual currículo forma, de fato, um cidadão?

 

A psicogênese da língua escrita que deslocou a questão central da alfabetização do ensino para a aprendizagem, contribuiu sobremaneira com a discussão. Partindo, não de como se deve ensinar e sim de como de fato se aprende, os pressupostos teóricos de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky foram decisivos na mudança de rumo.

 

O artigo 210 da Constituição Federal de 1988 determina como dever do Estado para com a educação básica, fixar “conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar a formação básica comum, o respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais”. Para orientar as instituições educacionais, em 1995, o MEC distribuiu os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil/RCNEI, os Parâmetros Curriculares Nacionais/PCN’s, para o Ensino Fundamental e os Referenciais Curriculares para o Ensino Médio. Posteriormente, o Conselho Nacional de Educação definiu as Diretrizes Curriculares para a Educação Básica.

 

Esses referenciais foram determinantes na seleção das competências, habilidades e expectativas de aprendizagem escolhidas pelos educadores e pela equipe responsável pela criação, organização e gestão da política educacional do Colégio Nacional. Outro referencial importante na discussão sobre os rumos que o Colégio adota, diz respeito ao Ensino Fundamental de Nove Anos e à divulgação dos documentos consolidados da Política Nacional de Educação Infantil.

 

As reflexões e a tomada de consciência de que a forma de viver a infância, a adolescência, a juventude e a fase adulta estão mudando; a certeza da necessidade de uma nova postura dos educadores frente à aquisição do conhecimento; a clareza da dimensão intertemporal no ciclo de vida da infância e juventude e, principalmente, o compromisso da educação com o desenvolvimento humano por meio dos processos de apropriação dos saberes, conhecimentos, sistemas de símbolos, ciências, artes, memória, identidade, valores, culturas, etc, faz nascer o Programa “Tem Jeito Sim” subdividido em quatro projetos desenvolvidos ao longo da Escola Básica: “Eu” – Educação Infantil; “Eu Em” – Ensino Fundamental I; “Eu Com” – Ensino Fundamental II; e “Eu Para” – Ensino Médio, os quais são detalhados no menu “Níveis de Ensino”.

 

Para ter acesso ao programa completo, clique aqui: Programa Tem Jeito Sim