Comitês

O que é Simuna?

O ano de 2017 é muito especial para a SIMUNA – A Simulação de Relações Internacionais do Colégio Nacional, pois o nosso evento entra em sua décima edição, reconhecido como um dos projetos mais consistentes e relevantes do Colégio Nacional. Sendo assim, antes de tudo, a SIMUNA é um projeto com o qual temos o maior carinho.

Por um lado, a SIMUNA é um modelo que reconstrói em pequena escala comitês das Nações Unidas e outras organizações internacionais, além de encontros históricos e agências de comunicação escrita e audiovisual que cotidianamente acompanham os principais acontecimentos do mundo. Por outro lado, a SIMUNA também é um grande painel artístico, multifacetado e que reúne interpretações teatrais, direção de documentários, desenhos de humor, apresentações musicais, compondo por meio da diversidade um espaço que promove o desenvolvimento do sujeito como um todo, por meio da autonomia e da alteridade.   

A SIMUNA surgiu em 2008 como um evento pequeno, articulado pelos estudantes do Ensino Médio, com apoio dos professores, coordenadores e outros integrantes do corpo pedagógico do Nacional, oferecendo um espaço aberto e democrático, em forma de simulação, dentro do qual os participantes representam embaixadores, presidentes, juízes, chefes militares, jornalistas, fotógrafos, ativistas de organizações não governamentais, artistas, experimentando diversos papéis relevantes no cenário internacional.

Deste modo, não seria incorreto afirmar que a SIMUNA pretende algo ambicioso: convidar, durante um fim de semana, as lideranças políticas e as organizações que fizeram história e atualmente debatem as questões fundamentais no mundo para conversarem mais uma vez dentro de nossas salas de aula, por meio de nossos jovens, pois quem sabe assim eles possam encontrar soluções para os impasses econômicos, sociais, humanitários, que ainda assolam o nosso tempo. 

 

CSNU Histórico – O Incidente no Golfo de Tonquin e os conflitos no Vietnã

A situação-problema deste comitê encontra-se entre as crises mais impactantes e revisitadas do século XX, amplamente debatida tanto nos meios de comunicação de massa como no mundo acadêmico, multi-interpretada no cinema, nas fotos jornalísticas que acompanharam lado a lado os eventos militares, no meio político, nos movimentos sociais como aqueles conduzidos pelos estudantes universitários e secundaristas dos Anos 60, com suas utopias romântico-revolucionárias.       Trata-se de um conflito com fortes motivações ideológicas que aconteceu no coração da Guerra Fria, em um de seus momentos mais tensos. A Guerra do Vietnã, como acabou mundialmente conhecida, entre seus inúmeros desatres humanitários, tornou-se uma questão central para aqueles que lutavam pela paz, ou pelo menos que se solidarizavam com as lutas de libertação nacional, as revoluções ou mesmo a resistência das pequenas nações do mundo, periféricas na distribuição internacional do trabalho e no peso político nas relações internacionais, mas capazes de feitos extraordinários, não obstante o apoio externo que tenham recebido.

Os delegados do Conselho de Segurança Histórico encontrarão esta crise no início, por volta de agosto de 1964, momento no qual as forças armadas estadunidenses passaram a se envolver diretamente no conflito. Trata-se de um debate que pode certamente definir os caminhos, históricos ou não, de um dos mais relevantes acontecimentos políticos e humanitários do século passado.  

 

OMPI – Organização Mundial de Propriedade Intelectual

Neste ano de 2017, em sua 10º edição, a SIMUNA disponibiliza pela primeira vez um encontro da OMPI, a Organização Mundial de Propriedade Intelectual, com o desafio de debater um dos espaços de maior expansão nos últimos anos: a rede mundial de computadores. A pauta principal do encontro será a delicada questão da propriedade intelectual e da inovação na internet, envolvendo a criação, o compartilhamento, a publicação e a distribuição de conteúdos das mais diferentes linguagens: textos, músicas, vídeos, imagens, além de softwares e outros produtos sujeitos ou não ao regime de patentes e proteção intelectual.   

De acordo com a União Internacional de Telecomunicações (UIT), a principal agência das Nações Unidas para tecnologias de informação e telecomunicação, em seu relatório “Medindo a Sociedade da Informação” divulgado em novembro de 2016, quase 3,5 bilhões de pessoas (47% da população mundial) estão conectadas a internet. Estes dados são ainda mais expressivos quando consideramos o número de assinaturas móveis, o que fortalece o debate a respeito dos direitos autorais e de propriedade industrial, além daqueles relacionadas à personalidade, isto é, as características que identificam a pessoa.

Neste caso, a ampliação das redes sociais e da experiência digital contribuiu para uma banalização do uso da imagem e recursos audiovisuais que são distribuídos frequentemente sem qualquer forma de controle, exigindo uma discussão a respeito. Por outro lado, os delegados da OMPI precisam considerar também os efeitos de uma ampliação excessiva da normatização e do controle para a criatividade individual e a diversidade político-ideológica, cultural e organizacional da internet.

 

 OMS – Organização Mundial de Saúde

Desde a sua criação, em 1948, como uma agência especializada das Nações Unidas, a OMS trabalha em prol da melhoria da qualidade de vida e da saúde no mundo, entendendo saúde como um estado de bem-estar físico, mental e social que ultrapassa a presença ou não de uma enfermidade. Neste caso, o desafio da OMS faz com que ela trabalhe de forma conjunta com outras organizações internacionais, integrando o desenvolvimento social e econômico com a melhoria nas condições de alimentação, higiene, prevenção, vacinação e combate a doenças, no desenvolvimento científico na área de saúde, entre outros aspectos relacionados à proteção da vida.

Em 2017, na 10º edição da SIMUNA, a OMS foi convidada para debater de forma mais abrangente a delicada questão das epidemias, muitas das quais preocuparam seriamente a comunidade internacional nos últimos anos. Apesar dos surtos epidêmicos acompanharem a história humana desde as primeiras civilizações, o problema assumiu novos patamares no mundo atual, marcado pela globalização, o crescimento populacional, a urbanização acelerada, além da persistência de vastas áreas do planeta com baixo desenvolvimento social e sanitário, ou ainda, que sofrem com conflitos armados que tentem a pauperizar ainda mais as condições de profilaxia e tratamento.

Neste sentido, os estudantes-delegados da OMS presentes na SIMUNA terão como desafio tratar do tema de forma mais ampla, sem priorizar esta ou aquela doença, elaborando, por conseguinte, uma agenda que perpasse pelos surtos epidêmicos virais, bacteriológicos e de outros micro-organismos (ebola, malária, zika, gripe, AIDS, pneumonia, tuberculose, entre outras) sem desconsiderar outras manifestações epidêmicas existentes.

                                                                                                                  

OIT – Organização Internacional do Trabalho

Em 2016, a ONG Walk Free Foundation divulgou o seu terceiro Índice Global de Escravidão, estimando em 45,8 milhões de pessoas submetidas à condição de escravo no mundo, situação que se manifesta tanto nas áreas rurais como no espaço urbano e industrial, variando-se conforme o país apontado. Trata-se de um problema que perpassa por várias instituições e cujas responsabilidades são compartilhadas entre o poder público – na maioria das vezes ineficiente – o capital privado, além de toda uma rede de exploração que ultrapassa o ambiente do trabalho nas fazendas, nas indústrias, no setor terciário, envolvendo também outras situações, como, por exemplo, o casamento forçado e o tráfico de pessoas. Os altos índices de desigualdade social, de pobreza e falta de oportunidades potencializam as condições de vulnerabilidade.  Por fim, a extensa cadeia de relações que envolvem o trabalho escravo alcança também aquele que consome os seus produtos e serviços, os quais são subavaliados e de difícil identificação.

Sendo assim, em um contexto marcado pela reestruturação das relações de trabalho e consequentemente das legislações nacionais e internacionais acerca do tema, a 10º edição da SIMUNA convida os delegados da Organização Internacional do Trabalho a pensarem em uma nova agenda para a fiscalização e a erradicação do trabalho escravo no mundo contemporâneo, com foco nas grandes cidades. 

 

CSNU – Conselho de Segurança das Nações Unidas

A ordem bipolar que emergiu da Segunda Guerra Mundial produziu crises localizadas cujos desdobramentos poderiam ter se traduzido em uma guerra nuclear. Em outros momentos, as disputas inerentes a Guerra Fria, protagonizadas pelos Estados Unidos e a União Soviética, proporcionaram divisões político-territoriais que se desdobraram por décadas, como ocorreu, por exemplo, com as duas Alemanhas, os dois Vietnãs e as duas Coréias. Neste último caso, a divisão ideológica resultou um dos mais importantes conflitos armados do século XX: a Guerra da Coréia, entre 1950 e 1953.

Não obstante o cessar-fogo de Panmunjon em 1953, ou mesmo o fim da Guerra Fria em 1991 e a inauguração de uma Nova Ordem Mundial, as duas Coréias permanecem em um impasse geopolítico que sobrevive até os dias atuais, agravado desde 2003 com a retirada da Coréia do Norte do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, além dos cinco testes nucleares norte-coreanos realizados entre 2006 e 2016.

Neste cenário, no qual os Estados Unidos e seus aliados intensificam exercícios militares na região, o governo da Coréia do Sul passa por uma crise política interna e Pyongyang realiza novos testes militares, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) precisa encontrar uma agenda positiva para um conflito que constantemente se atualiza.  

 

CDSI – Comissão de Desarmamento e Segurança Internacional

Conforme estabelecido na Carta das Nações Unidas, particularmente na Primeira Comissão para Desarmamento e Segurança Internacional (CDSI), estabelecida em 1978, um dos objetivos que pode compor o universo de atribuições da Assembleia Geral é a promoção do desarmamento e a cooperação pela paz. Afinal, a indústria bélica figura entre as mais rentáveis no mundo, assim como o financiamento e o comércio de armas, especialmente aquelas de médio e pequeno porte. Muitas destas armas contribuem decisivamente para o surgimento e o prolongamento dos conflitos armados, como é caso das guerras civis e da ação de grupos extremistas na África e no Oriente Médio, muitos dos quais ligados a organizações como a Al Qaeda e o Estado Islâmico.

Não se trata de um problema simples. De acordo com uma reportagem recente no portal das Nações Unidas, o acesso as armas convencionais, que em muitas sociedades não possuem um controle rigoroso e até contam com um comércio legal desenvolvido, deixam danos materiais e humanos irreversíveis. “De pelo menos 640 milhões armas de fogo licenciadas em todo o mundo aproximadamente dois terços estão nas mãos da sociedade civil. O comércio legal de armas de pequeno calibre excede quatro bilhões de dólares por ano. O comércio ilegal é estimado em um bilhão de dólares. E essas armas convencionais, como as minas terrestres, causam destruição da vida e da integridade física, que continua por anos após os conflitos terem acabado.” ONU.   

Sendo assim, a Simulação de Relações Internacionais do Colégio Nacional (SIMUNA) oferece mais uma vez um espaço para que os estudantes-delegados possam refletir sobre o assunto, tendo como prioridade o combate ao financiamento e armamento de grupos extremistas na África e no Oriente Médio. Um processo de armamento que se estrutura em rede, e envolve traficantes especializados, lideranças políticas, potências internacionais e grandes empresas de capital privado que encontram nos conflitos armados novas possibilidades de negócio. 

 

Agências de comunicação escrita e audiovisual

Os encontros internacionais começam antes da abertura das sessões e continuam após as cerimônias oficiais de encerramento, seja porque as relações de interesse entre os Estados ultrapassam necessariamente as salas de discussões, seja porque a cobertura nos meios de comunicação expande o alcance e a complexidade destes encontros. Afinal, estas agências acompanham diariamente os debates, entrevistam os diplomatas e demais autoridades presentes, fotografam, desenham, filmam, editam e, por fim, produzem reportagens escritas e audiovisuais que nos permitem conhecer uma parte do que acontece nos bastidores destes eventos. Trata-se sempre de uma visão possível da realidade, cuja parcialidade se soma ao complexo jogo de interesses econômicos, políticos e ideológicos inerentes ao funcionamento de sistemas como as Nações Unidas.

Sendo assim, nenhuma simulação de relações internacionais estaria completa se não reproduzisse também o trabalho das agências de comunicação, as quais foram ampliadas na X edição da SIMUNA.

Em 2017, além do trabalho com os jornais escritos, a cobertura dos eventos e dos comitês será enriquecida com um espaço mais amplo para outros meios de comunicação, como, por exemplo, o trabalho irreverente das charges e caricaturas, além da possibilidade de produção de documentários. A ideia é aumentar as possibilidades para aqueles que se proponham a contar históricas, informar e analisar detalhes que, por vezes, nos passam despercebidos enquanto vivemos os acontecimentos.