Comitês

  • CSNU (Conselho de Segurança)

Segundo as Nações Unidas, a Guerra da Síria, em curso desde 2011, já matou mais de 260 mil pessoas, deixando milhões de refugiados e deslocados internos. Outras fontes apontam dados ainda mais alarmantes, que se aproximam de 470 mil. O problema se agrava quando consideramos os desdobramentos dos conflitos no Iraque desde a invasão das Forças de Coalizão, em março de 2003, potencializados com a expansão das organizações extremistas, cujas ações alcançaram também o território sírio e contribuíram para fragilizar ainda mais a delicada situação política do Oriente Médio.

As intervenções armadas estrangeiras, por meio de bombardeios, fornecimento de armas, treinamento e outras ações estratégicas polarizaram ainda mais a crise, especialmente devido às dificuldades de diálogo entre algumas potências envolvidas no conflito, dos próprios Estados presentes na região e da dificuldade de controle sobre os territórios submetidos à situação de guerra. Parte destes territórios foi ocupada pelo Estado Islâmico no decorrer dos últimos anos, alterando o equilíbrio de forças dentro da Síria e do Iraque e, consequentemente, as possibilidades de estabilização da região.

A deterioração da situação política nestes países lançou imensos obstáculos para Nações Unidas, as agências humanitárias, a própria cobertura da imprensa internacional e para o Conselho de Segurança. Afinal, qual deve ser o papel das Nações Unidas em uma situação de crise tão grave como esta? E o Conselho de Segurança possui o poder e a legitimidade necessários para intermediar o conflito e combater o ISIS?

Presente mais uma vez na SIMUNA, o Conselho de Segurança terá como desafio, desta vez, a elaboração de estratégias para a erradicação do Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

 

  • UNHRC (Conselho de Direitos Humanos)

Contrastando com muitas análises feitas após a queda do Muro de Berlim ou mesmo no contexto da desintegração da União Soviética, o mundo globalizado que se afirmou na Nova Ordem Mundial não foi pacífico, não foi economicamente estável, nem tolerante. As identidades nacionais continuaram fortes, bem como os movimentos separatistas e os conflitos de ordem étnica e religiosa. A comunidade internacional continuou convivendo com manifestações de xenofobia, práticas de genocídio e intervenções militares constantes reforçadas ora por tecnologias cada vez mais sofisticadas, como os drones, ora por métodos mais prosaicos, como a violência direta contra a população civil.

Neste contexto de grandes desafios para as organizações de Direitos Humanos, o sistema das Nações Unidas e para os próprios Estados Nacionais, o mundo presenciou também o recrudescimento das organizações extremistas como a Al Qaeda e o Estado Islâmico, cujas ações militares e ideológicas possuem alcance global, bem como seus efeitos sobre a segurança internacional e os meandros mais sutis do comportamento e das relações dentro de Estados cada vez mais diversificados do ponto de vista religioso, étnico, social e cultural.

Mas as manifestações de intolerância não são características apenas do fundamentalismo islâmico. Elas se manifestam cotidianamente em todas as religiões e Estados, em várias formas de fundamentalismos e outras ações contrárias a uma ordem internacional estável e democrática. Construir esta ordem mais tolerante e pautada no parâmetro humano, em meio à expansão do terror, será o principal desafio do Conselho de Direitos Humanos em 2016, durante as sessões da IX SIMUNA. Este desafio certamente será uma força a mais para nossos delagados.

 

  • ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados)

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados se preocupa, desde os Anos 50, em dirigir e coordenar ações para a proteção das pessoas deslocadas em todo o mundo, buscando soluções duradouras para a difícil condição em que vivem. Não se trata de um mandato fácil, haja vista a quantidade e complexidade do problema.

Para se ter uma ideia, o ACNUR, em seu relatório anual de 2015, estimou em cerca de 59,5 milhões de deslocados por guerras até dezembro de 2014, o maior dado já registrado. 

Nesse caso, apesar das intervenções serem locais, por meio de diversos atores, os debates não devem se concentrar apenas em um caso específico, como a Guerra da Síria ou a situação do Afeganistão. Deve-se pensar em uma perspectiva mais ampla, que considere os efeitos globais do refúgio, do deslocamento e outras situações nas quais a pessoa deixa forçadamente a sua casa, precisando de todo tipo de auxílio econômico, médico, sanitário, psicológico, educacional e de proteção contra as mais diversas formas de violência. Além disso, o ACNUR trabalha também com a possibilidade dos refugiados retornarem para seus lares.

São desafios imensos que envolvem necessariamente a cooperação de diversas instituições e ajuda financeira internacional, além de esbarrarem em questões de soberania nacional, oportunidades econômicas, diferenças étnicas, linguísticas e religiosas, entre outros fatores.

Em 2016, a IX edição da SIMUNA se propôs a considerar mais de perto este problema,convidando seus delegados a pensarem em uma resposta abrangente para a crise de refugiados, à luz das decisões que vem sendo tomadas pela comunidade internacional e, por outro lado, dos próprios limites atuais existentes.

 

  • Conselho de Segurança Histórico: A Crise dos Mísseis de 1962

Quando o Conselho de Segurança das Nações Unidas iniciou seus trabalhos, em 1946, o próprio sistema de relações internacionais se alterava sensivelmente em decorrência dos efeitos da Segunda Guerra Mundial. As Nações Unidas ainda se estabeleciam, lideradas pelos Estados vitoriosos na guerra; a Europa começava a se reconstruir economicamente, enquanto nas áreas periféricas avançava o movimento de descolonização, reivindicando autodetermina-ção e lutando das mais diversas formas contra Impérios que se desintegravam. Em um patamar mais amplo, a guerra produziu duas superpotências, os Estados Unidos e a União Soviética, membros permanentes do CSNU, e que começavam a disputar áreas de influência em todos os continentes, intervindo direta e indiretamente para afirmar seus respectivos modelos políticos e econômicos.

Nessa ordem internacional bipolar, estabelecida entre 1945 e 1991, o CSNU e a própria ONU se tornavam muitas vezes reféns dos interesses das superpotências, presenciando crises que, dependendo das escolhas feitas, poderiam se desdobrar em uma guerra nuclear com efeitos devastadores.

Um destes momentos críticos e ao mesmo tempo históricos da Guerra Fria ocorreu em 1962, entre os dias 16 e 28 de outubro, durante a Crise dos Mísseis em Cuba. No decorrer destes “13 dias que abalaram o mundo”, a jovem república socialista cubana tornou-se o epicentro de uma das mais graves crises do século XX, que envolveu uma delicada discussão sobre armamentos, soberania nacional, áreas de influência, interesses econômicos e outras questões que quase terminaram em uma guerra nuclear direta. Nesse ínterim, o Conselho de Segurança foi convocado em caráter emergencial, situação que será revivida este ano, em um dos comitês da IX SIMUNA.

 

  • Imprensa

Os encontros internacionais começam antes da abertura das sessões e continuam após as cerimônias oficiais de encerramento, seja porque as relações de interesse entre os Estados ultrapassam necessariamente as salas de discussões, seja porque a cobertura nos meios de comunicação expande o alcance e a complexidade destes encontros. Afinal, estas agências acompanham diariamente os debates, entrevistam os diplomatas e demais autoridades presentes, fotografam, desenham, filmam, editam e, por fim, produzem reportagens escritas e audiovisuais que nos permitem conhecer uma parte do que acontece nos bastidores destes eventos. Trata-se sempre de uma visão possível da realidade, cuja parcialidade se soma ao complexo jogo de interesses econômicos, políticos e ideológicos inerentes ao funcionamento de sistemas como as Nações Unidas.  

Sendo assim, nenhuma simulação de relações internacionais estaria completa se não reproduzisse também o trabalho das agências de comunicação, as quais foram ampliadas na IX edição da SIMUNA.

Em 2016, além do trabalho com os jornais escritos, a cobertura dos eventos e dos comitês será enriquecida com um espaço mais amplo para outros meios de comunicação, como, por exemplo, o trabalho irreverente das charges e caricaturas, além da possibilidade de produção de documentários. A ideia é aumentar as possibilidades para aqueles que se proponham a contar históricas, informar e analisar detalhes que, por vezes, nos passam despercebidos enquanto vivemos os acontecimentos.