Blog do Naça - Bullying na escola

Uma das ações da campanha #nãoaceitebullying aconteceu no fim de abril, quando o Programa de Tutoria da escola propôs uma intervenção teatral para as turmas de Ensino Médio. A ação foi preparada pelo professor de Teatro Marcelo Ribas, que articulou uma cena de bullying no intervalo das aulas entre dois meninos, de modo que os únicos alunos que sabiam sobre a intervenção eram os próprios atores protagonistas. A finalidade foi perceber a reação das pessoas que testemunharam a cena – haveria alunos apoiando o agressor? Quantos se levantariam para defender o agredido? E quantos cruzariam os braços e ficariam apenas olhando? 

O aluno Gustavo Rodovalho faz o papel da vítima. Vamos ver o que ele achou da experiência.

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Gustavo Rodovalho, aluno do 1º ano do Ensino Médio do Colégio Nacional.

Fiquei sabendo da proposta do colégio em realizar uma campanha para falar de bullying quando fui chamado para participar de uma ação com esse tema. Como aluno de teatro, tive grande interesse em participar do movimento e caracterizar um personagem que estivesse envolvido na situação. A profundidade com a qual a própria escola tinha preparado para iniciar a ação valeu como um grande incentivo para me envolver e participar de toda a mobilização.

Após aceitar, fui orientado pelo professor de teatro do colégio, o Marcelo, que além de mim havia reunido outros dois alunos para participar do movimento. A ideia principal era a de chamar a atenção dos alunos durante o intervalo das aulas e expor uma situação em que um aluno realizasse uma prática de bullying contra outro aluno. 

Assumi o papel de vítima de bullying enquanto meus dois outros colegas, Bruno e Elias, encenaram os praticantes de bullying. A situação se resumiu em um aluno furtar o lanche de outro e satirizá-lo, com a ajuda de outro aluno que utilizava a câmera do próprio celular para filmar toda a ação. Como vítima, senti certo desconforto no momento em que havia sido forçado a ter que chamar a atenção de muitas outras pessoas por ter sido, de certa forma, violentado.

Durante a simulação percorremos um caminho da cantina até o pátio da escola com o objetivo de “contaminar” nas pessoas certo desconforto em relação àquela situação. Houve duas mobilizações: uma de manhã e uma à tarde. Na primeira mobilização, muitos alunos se juntaram para defender-me como vítima, muitos inclusive eram meus próprios colegas de sala. Percebi que, aos poucos, uma aglomeração de pessoas estava sendo formada para intervir na prática do bullying e fazer com que o praticante “pagasse” pelo que fez. O movimento terminou com a saída do “agressor” em direção à coordenação.

Ao final, vi que realmente há um sentimento de revolta em boa parte das pessoas, principalmente naqueles que são mais próximos da vítima (no caso dos meus colegas de sala, que estiveram ao meu lado, me apoiando e buscando justiça) e que, mesmo que apenas algumas pessoas tenham coragem de se pronunciar e intervir diretamente na prática do bullying, a conscientização da maioria dos jovens em relação a este assunto é essencial. A soma desse sentimento de revolta e de ajuda de um determinado grupo é um ponto bastante positivo e isso mostra que é possível amenizar os casos de violência física ou verbal. O apoio dos amigos e a denúncia são fundamentais para combater o bullying.

Logo depois da cena, quando as turmas retornaram às salas, os professores  surpreenderam os alunos com uma conversa sobre bullying, retomando o fato que acabara de acontecer no intervalo.  A intenção foi fazê-los refletir sobre a situação e chocá-los contra suas próprias atitudes. Neste momento, os atores entraram nas salas e revelaram a verdade a cada turma. É importante lembrar que nem sempre as vítimas de bullying recebem o apoio dos colegas, como Gustavo recebeu; muitas testemunhas se tornam cúmplices dessa injustiça por não ajudarem alguém que sofre humilhação e perseguição. A campanha #nãoaceitebullying continua no Colégio Nacional, com a presença da juíza Soraya Brasileiro, que está em visita à escola esclarecendo os alunos sobre as implicações legais da prática do bullying durante esta semana.